Entrevista que a Irmã Kátia concedeu para o Informativo Nhá Chica

ENTREVISTA ESPECIAL

“Reflorescer o carisma no cuidado pela vida”

Nova Madre Provincial reflete sobre a Missão da Congregação das Irmãs Franciscanas do Senhor

Eleita no III Capítulo Provincial da Congregação das Irmãs Franciscanas do Senhor como Madre Provincial, Irmã Kátia Regiane de Oliveira Mascarenhas é filha de Yara de Oliveira Mascarenhas e Carlos Ferreira Mascarenhas, tem apenas um irmão, Antonio Carlos Mascarenhas. Ela é natural de Tapiraipe, distrito de Rui Barbosa, na Bahia, onde viveu boa parte de sua infância.

Aos pés de São Miguel Arcanjo, padroeiro de sua terra natal, fazia suas orações. Fez a catequese e “sentia seu coração arder” cada vez que durante a Celebração Eucarística era escolhida para incensar as imagens da Igreja.

Desde pequena, acompanhava através de noticiários de rádio e TV, a vida e missão da Ir. Dulce dos pobres. Ficava encantada com a doação, vigor e amor expresso naquele rosto aparentemente frágil, mas na verdade forte, marcado por sinais de luta constante em favor dos pobres. Desejava ardentemente ser igual a ela, queria seguir seus caminhos e trabalhar pelos pobres e necessitados. Aos pés de São Miguel Arcanjo rezava pedindo que o santo a ajudasse a conhecer e seguir os passos de Ir. Dulce.

Em 1979, sua família mudou-se para Teixeira de Freitas/BA.  Após alguns anos, foi a Salvador, onde realizou o sonho de estar com Ir. Dulce, conversar com ela e conhecer de perto boa parte de sua obra. Ao retornar desta viagem, com o coração ainda mais desejoso de ser religiosa, aproximou-se das Irmãs Franciscanas do Senhor que atuavam em na cidade baiana: Irmã Cristina, Irmã Aida, Irmã Celina e também do Bispo da época, o Franciscano Dom Antonio Zuqueto. Junto a estas Irmãs aprofundou seus conhecimentos sobre a vida de São Francisco de Assis e Frei Angélico Lipani.

Desta convivência, viu a semente da vocação desabrochar e realizar seu sonho de ser religiosa, dedicando-se por inteira a serviço do Reino de Deus. Respondeu SIM ao chamado do Senhor e em 25 de janeiro de 1996 ingressou na etapa de formação, chamada postulantado, em Belo Horizonte MG. Um ano depois, no dia 19 de janeiro de 1997 passou ao noviciado.

Sua Profissão Simples aconteceu em 30 de janeiro de 1999 passando para o Juniorato. Na certeza de que a Graça de Deus a convidava a dar uma resposta radical ao seguimento de Jesus Cristo, no dia 23 de julho de 2005 fez sua Profissão Perpétua, experimentando assim, a Perfeita Alegria pregada pelo seráfico Pai São Francisco de Assis.

Hoje, com 49 anos de idade, formada em Estudos Sociais e Pedagogia, assume a missão de Governar a Província Nossa Senhora de Guadalupe, das Irmãs Franciscanas do Senhor.

Leia a entrevista e conheça um pouco mais sobre a Missão de Madre Kátia Regiane Mascarenhas

Qual o objetivo primordial da senhora frente à Congregação? O que muda de fato e o que mais a motiva? 

 

Meu grande objetivo é o cumprimento do plano de ação elaborado pela Assembléia Capitular, realizada nos dias 16 a 23 de julho de 2015, em Venda Nova/Belo Horizonte, com o tema “Reflorescer o carisma no cuidado pela vida” e o lema, “Que o vosso fruto permaneça” (Jo 15,16b). Foi um evento institucional  e eclesial celebrado pelas Irmãs, com intensidade e amor, onde experimentamos mais uma vez a beleza da vocação e da missão a qual abraçamos. Nesta oportunidade avaliamos a vida da Província Brasil/Bolívia, onde foram identificados pontos fortes e pontos a serem melhorados. Daí nasceu o plano de ação que me refiro para o quadriênio 2015-2019; este plano consta de propostas a serem cumpridas nos eixos da Espiritualidade, Vida fraterna, Vida Apostólica e missão, Formação e Economia e patrimônio, colocado sob a minha responsabilidade para executá-lo em toda a Província. Com disponibilidade nos colocamos a serviço, pois, quem governa é o Espírito Santo; somos apenas instrumentos nas mãos de Deus. A força e inspiração para isto, vêm do nosso Fundador, Pe. Angélico Lipani que é para nós um forte atrativo a viver plenamente a nossa identidade de Franciscanas do Senhor, redescobrindo e revitalizando o carisma fundacional por ele iniciado, glorificando a Deus no cuidado pela vida.

Como a sra. vê o legado de Nhá Chica e essa forte junção com a Congregação há 60 anos? Qual a importância deste trabalho de resgate à vida? 

 

Nossa Congregação, como tantas outras é um dom de Deus para a Igreja, para seu serviço e também sua santificação. Em 2014 celebramos 60 anos da chegada das Irmãs no Brasil e em 2015, celebramos 130 anos de fundação da Congregação, na Itália. Demos graças por tantas coisas que acontecerem ao longo dessas décadas: conquistas, perdas, perseverança, acertos, erros, aprendizados, alegrias e muita luta em prol da vida. Como os discípulos de Emaús (cf. Lc 24, 13-35) nos sentimos interpeladas pelo Cristo Ressuscitado para fazer uma caminhada espiritual com Ele e com os irmãos; olhar a história e nela perceber que Deus vem caminhando conosco e nos orientando ao longo da nossa existência.  Interpelamos sempre: “Permanece conosco, Senhor!”. Ele tem permanecido através de nossa missão por diversos cantos do Brasil e do Mundo. Nossa missão na Associação Beneficente Nhá Chica, visa acolher, resgatar e promover a vida de crianças que estão sob nossos cuidados, bem como tantos outros projetos. Nhá Chica foi uma mulher de muita oração, sempre pronta a atender a todos que a procuravam. Ela foi toda do Senhor. Esse legado espiritual deixado para a Igreja, tem nos ajudado como Congregação a abraçar a missão a nós confiada e com certeza, Nhá Chica tem intercedido por nós a Jesus e a Virgem da Conceição nestes 60 anos de presença no Brasil. Aos devotos e benfeitores, meus agradecimentos e meu apreço por vocês ajudarem a manter de pé esta obra do Senhor. Deus vos abençoe com a sua misericórdia. Da nossa parte, expressamos fraternal e cordialmente o nosso reconhecimento e as nossas orações. Peço-lhes, rezem pela Igreja de Jesus Cristo, incluam, de modo particular, uma prece por nós, Irmãs Franciscanas do Senhor, para que, por intercessão, da Beata Nhá Chica possamos continuar nossa missão e aprender sempre mais dela a sermos mulheres humildes, obedientes, atentas a Palavra de Deus. Que o Pai os recompense por todo bem que fazem. O Senhor te abençoe e te guarde; mostre sua face para ti e tenha misericórdia de ti. Volte seu rosto para ti e te dê a paz (Nm 6,24-26). O Senhor te abençoe (cfr. Nm 6,27)

Como é a Congregação no contexto e na comunhão da Santa Igreja Católica, Apostólica Romana? 

Vejo a Congregação como uma entidade de fé e esperança que busca estar sempre em comunhão com a Igreja. Na carta apostólica do Papa Francisco aos religiosos ele nos diz: Os religiosos e as religiosas, como todas as outras pessoas consagradas, são chamados a ser «peritos em comunhão». Assim, espero que a «espiritualidade da comunhão», indicada por São JoãoHYPERLINK “http://www.vatican.va/holy_father/john_paul_ii/index_po.htm” HYPERLINK “http://www.vatican.va/holy_father/john_paul_ii/index_po.htm”Paulo II, se torne realidade e que vós estejais na vanguarda abraçando «o grande desafio que nos espera» neste novo milênio: «fazer da Igreja a casa e a escola da comunhão»[5].

Nosso objetivo enquanto Província tem sido perseguir essa proposta de comunhão indicado pelo Papa Francisco. Apesar de nossas fraquezas e dificuldades, nos esforçamos para abraçar os ideais de nossos fundadores Francisco e Angélico, que tão bem souberam viver essa comunhão de vida com a Igreja deixando-nos um legado maravilhoso de acolhida e amor.

Somente vivendo a comunhão eclesial é possível desenvolver uma espiritualidade de comunhão, fazendo, com que o mundo creia em Cristo. Esta comunhão, que é dom, torna homens e mulheres em irmãos e irmãs uns dos outros, não pelo sangue, mas em razão de uma vocação comum. Nisto todos conhecerão que sois meus discípulos, se vos amardes uns aos outros» (Jo 13, 35).

 

Para os devotos e benfeitores da Associação Nhá Chica, qual sua mensagem? O que eles podem esperar da atuação da Congregação? 

Finalizo citando parte da carta Encíclica do Papa Francisco Laudato Si’ que nos convida a vivermos uma comunhão fraterna e universal com todo ser criado.

“…quando o coração está verdadeiramente aberto a uma comunhão universal, nada e ninguém fica excluído desta fraternidade. Portanto, é verdade também que a indiferença ou a crueldade com as outras criaturas deste mundo sempre acabam de alguma forma por repercutir-se no tratamento que reservamos aos outros seres humanos. Precisamos de nova solidariedade universal. Não podemos considerar-nos grandes amantes da realidade, se excluímos dos nossos interesses alguma parte dela: «Paz, justiça e conservação da criação são três questões absolutamente ligadas, que não se poderão separar…

Deus, que nos chama a uma generosa entrega e a oferecer-Lhe tudo, também nos dá as forças e a luz de que necessitamos para prosseguir. No coração deste mundo, permanece presente o Senhor da vida que tanto nos ama. Não nos abandona, não nos deixa sozinhos, porque Se uniu definitivamente à nossa terra e o seu amor sempre nos leva a encontrar novos caminhos. Que Ele seja louvado!

 

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