Seguir o Mestre entre “hosanas” e condenações

Domingo de Ramos. Domingo dos extremos. Num primeiro momento, a euforia daqueles que desejar ditar os Caminhos de Deus, colocando-se arrogantemente como “senhores do Senhor”. Sonhavam com um Messias que viesse com força e poder. Ao verem-se frustrados em suas expectativas, mudam de atitude e passam a vociferar com ódio mortal contra Jesus: “Crucifica-o”.

Para iluminar o percurso que iniciamos neste Domingo de Ramos, cinco atitudes que atualizam as duas posturas: os gritos de “Hosana” que expressam uma euforia sem fundamento, e os gritos de “Crucifica-o” que manifestam a frustração de quem não assimilou a proposta de Jesus:

Gritar “Hosana” hoje significa:

1) Considerar Deus Como promotor do luxo e do sucesso daqueles que nele confiam e que investem recursos materiais para recebê-los de volta multiplicados em forma de bençãos. É o discurso da chamada Teologia da Prosperidade. Reduzir o Criador a mero “banqueiro” que honra os valores colocados sob seus cuidados é uma caricatura capitalista apresentada por quem se utiliza do nome de Deus para garantir lucro financeiro.

2) Apostar num contexto de cristandade, numa religião que se mostra poderosa e imponente. Atuar como fiscal da fé, reduzindo a vivência profunda do mistério a uma dimensão desencarnada, que assume o culto a partir do ritualismo e a tradição, pautada num dogmatismo distante da realidade e num moralismo dualista, que promove a acepção entre bons e maus.

3) Considerar-se merecedor e proprietário da salvação que Deus oferece de maneira gratuita e indistinta a todos.

4) Investir num espiritualismo individualista e desencarnado, mostrando total indiferença no que diz respeito ao compromisso cristão de transformar concretamente a realidade.

5) Assumir um trabalho na comunidade com espírito de posse e exercício de poder. Abandonar a dimensão do serviço que é a base do seguimento de Cristo.

Gritar “Crucifica-o” hoje significa:

1) Assumir em nome da religião um discurso de ódio, injustiça, violência e exclusão.

2) Desprezar os pobres e necessitados, rotulando-os de maneira cruel e antifraterna.

3) Pensar apenas nos próprios interesses e colocar todo empenho unicamente na aquisição e acumulação de bens materiais.

4) Colocar-se de forma insensível e descomprometida diante do drama daqueles que sofrem.

5) Omitir-se diante das injustiças por conveniência ou comodismo.

Diante de gritos que podem nos confundir, o melhor é fixar os olhos e os ouvidos em Jesus e seguir o Mestre com coragem, assumindo em seu nome os sofrimentos inerentes à missão. Com Cristo, mais uma vez, renovemos nossa disposição para o serviço do lava-pés, nossa generosidade para a entrega na cruz e nossa união para, juntos, revivermos a esperança da Ressurreição.

Frei Gustavo Medella

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